Você já conferiu os comentários sobre os fragmentos 1 e 2.
Agora vamos observar duas outras situações textuais, lembrando que os fragmentos aqui postados não apresentam, necessariamente, uma transgressão à norma culta da língua.
A nossa intenção é que todos os que acessam o nosso blog exercitem a sua percepção em relação aos textos apresentados, que podem ou não conter algum "erro".
Fragmento 3
No Twitter, Rita Lee avisa seus 270 mil seguidores de que a Folha estava chegando na casa onde mora, entre cães, carpas e tartarugas, na Granja Viana (Grande SP).
(Publicado no jornal Folha de S. Paulo, edição de 16 de novembro de 2011)
Fragmento 4
DE BRASÍLIA - Em meio à rebelião da base aliada no Congresso, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), desobedeceu o Planalto ao retirar da pauta um projeto que seria sancionado pela presidente Dilma Rousseff na próxima terça-feira.
(Publicado no jornal Folha de S. Paulo, edição de 10 de março de 2012)
terça-feira, 13 de março de 2012
domingo, 4 de março de 2012
Comentários-Fragmentos 1 e 2
Fragmento 1 (publicado em 20 de fevereiro de 2012 na página de abertura da UOL)
Jennifer Lopez tenta evitar foto comendo batata frita e pastel
Comentário
Este texto permite duas leituras.
Primeira leitura: Jennifer Lopez tenta evitar que a fotografem enquanto come batata frita e pastel, isto é, ela não quer aparecer em uma foto comendo batata frita e pastel.
Segunda leitura: Jennifer Lopes come batata frita e pastel para evitar que a fotografem, isto é, comer batata frita e pastel é o recurso que ela utiliza para evitar que a fotografem.
Trata-se, portanto, de um texto com ambiguidade.
É muito claro, porém, que o sentido que o autor do texto pretende é o primeiro aqui explicado.
Fragmento 2 (publicado no jornal O Estado de S.Paulo, edição de 23 de janeiro de 2012)
Estudo sugere que médicos receitam antibióticos em doses inadequadas
Comentário
Neste texto, o que chama a atenção é o emprego da forma verbal “receitam” (3ª pessoa do plural do presente do indicativo), pois, gramaticalmente, também seria possível o emprego de “receitem” (3ª pessoa do plural do presente do subjuntivo).
Para o entendimento do emprego dessas duas formas do verbo “receitar”, lembremos que o verbo “sugerir” tem, entre outros significados, o de “propor” e o de “dar a entender”.
No texto em questão, o verbo “sugerir” tem o sentido de “dar a entender”, pois se trata de uma conclusão a que o estudo chegou. Portanto, a ação de “receitar” é uma realidade, isto é, “estudo dá a entender que médicos [de fato, realmente] receitam antibióticos em doses inadequadas”, o que permite afirmar que o emprego do presente do indicativo atende ao que prevê a norma culta da língua, pois o modo indicativo deve ser utilizado quando há ideia de realidade.
Do ponto de vista da correção gramatical, a forma “receitem” também poderia ser empregada com o verbo “sugerir”, que teria, nessa nova situação textual, o sentido de “propor”.
Portanto, “receitar” seria provável, uma vez que os médicos poderiam ou não seguir o que o estudo propõe, o que permitiria o emprego de “receitem”, forma do presente do subjuntivo - o modo subjuntivo indica probabilidade. Tal emprego, no entanto, realizaria um sentido inadequado, pois nenhum estudo deve propor que médicos receitem antibióticos em doses
inadequadas.
Jennifer Lopez tenta evitar foto comendo batata frita e pastel
Comentário
Este texto permite duas leituras.
Primeira leitura: Jennifer Lopez tenta evitar que a fotografem enquanto come batata frita e pastel, isto é, ela não quer aparecer em uma foto comendo batata frita e pastel.
Segunda leitura: Jennifer Lopes come batata frita e pastel para evitar que a fotografem, isto é, comer batata frita e pastel é o recurso que ela utiliza para evitar que a fotografem.
Trata-se, portanto, de um texto com ambiguidade.
É muito claro, porém, que o sentido que o autor do texto pretende é o primeiro aqui explicado.
Fragmento 2 (publicado no jornal O Estado de S.Paulo, edição de 23 de janeiro de 2012)
Estudo sugere que médicos receitam antibióticos em doses inadequadas
Comentário
Neste texto, o que chama a atenção é o emprego da forma verbal “receitam” (3ª pessoa do plural do presente do indicativo), pois, gramaticalmente, também seria possível o emprego de “receitem” (3ª pessoa do plural do presente do subjuntivo).
Para o entendimento do emprego dessas duas formas do verbo “receitar”, lembremos que o verbo “sugerir” tem, entre outros significados, o de “propor” e o de “dar a entender”.
No texto em questão, o verbo “sugerir” tem o sentido de “dar a entender”, pois se trata de uma conclusão a que o estudo chegou. Portanto, a ação de “receitar” é uma realidade, isto é, “estudo dá a entender que médicos [de fato, realmente] receitam antibióticos em doses inadequadas”, o que permite afirmar que o emprego do presente do indicativo atende ao que prevê a norma culta da língua, pois o modo indicativo deve ser utilizado quando há ideia de realidade.
Do ponto de vista da correção gramatical, a forma “receitem” também poderia ser empregada com o verbo “sugerir”, que teria, nessa nova situação textual, o sentido de “propor”.
Portanto, “receitar” seria provável, uma vez que os médicos poderiam ou não seguir o que o estudo propõe, o que permitiria o emprego de “receitem”, forma do presente do subjuntivo - o modo subjuntivo indica probabilidade. Tal emprego, no entanto, realizaria um sentido inadequado, pois nenhum estudo deve propor que médicos receitem antibióticos em doses
inadequadas.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Observar textos
Iniciamos as nossas postagens neste ano de 2012 com uma atividade comentada em sala de aula na semana anterior ao carnaval: colocaremos em nosso blog fragmentos de textos que apresentem algum interesse linguístico. Sugerimos que os interessados observem esses fragmentos e pensem o que poderia ser comentado quanto àquela passagem. Dois dias depois da postagem, publicaremos os comentários.
Começamos hoje com dois fragmentos.
Fragmento 1 (publicado em 20 de fevereiro na página de abertura da UOL)
Bastidores
Jennifer Lopez tenta evitar foto comendo batata frita e pastel
Fragmento 2 (publicado no jornal O Estado de S.Paulo, edição de 23 de janeiro de 2012)
Estudo sugere que médicos receitam antibióticos em doses inadequadas
Acompanhe os nossos comentários daqui a dois dias.
Até lá.
Começamos hoje com dois fragmentos.
Fragmento 1 (publicado em 20 de fevereiro na página de abertura da UOL)
Bastidores
Jennifer Lopez tenta evitar foto comendo batata frita e pastel
Fragmento 2 (publicado no jornal O Estado de S.Paulo, edição de 23 de janeiro de 2012)
Estudo sugere que médicos receitam antibióticos em doses inadequadas
Acompanhe os nossos comentários daqui a dois dias.
Até lá.
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
ESQUECER-LEMBRAR-RECORDAR-ADMIRAR
ESQUECER – LEMBRAR - RECORDAR - ADMIRAR
Os verbos “esquecer”, “lembrar”, “recordar” e “admirar” admitem três construções.
O que se comentará a seguir, tomando como exemplo o verbo “esquecer”, vale também para os verbos “lembrar”, “recordar” e “admirar”.
O verbo “esquecer”, quando empregado sem a anexação do pronome “se” (“esquecer-se”), não admite preposicionamento do complemento. Para facilitar a lembrança dessa norma, podemos dizer que “quem esquece esquece alguma coisa ou alguém”.
Ele nunca esqueceu a nossa recomendação.
Ele nunca esqueceu as nossas recomedações.
Caso se empregue tal verbo como verbo pronominal, isto é, anexando-se o “se”, a construção obriga o preposicionamento. Assim, “quem se esquece esquece-se de alguma coisa ou de alguém”.
Ele nunca se esqueceu da nossa recomendação.
Ele nunca se esqueceu das nossas recomendações.
Há ainda uma terceira possibilidade, em que a “coisa” esquecida é o sujeito da oração, e a pessoa é o objeto indireto. Nesse caso, é importante lembrar que a “coisa” esquecida, caso esteja no plural, obrigará a colocação do verbo no plural.
Não lhe esqueceu a nossa recomendação.
Não lhe esqueceram as nossas recomendações.
Outros exemplos:
Lembrei o aniversário.
Lembrei os aniversários.
Lembrei-me do aniversário.
Lembrei-me dos aniversários.
Lembrou-me o aniversário.
Lembraram-me os aniversários.
Os verbos “esquecer”, “lembrar”, “recordar” e “admirar” admitem três construções.
O que se comentará a seguir, tomando como exemplo o verbo “esquecer”, vale também para os verbos “lembrar”, “recordar” e “admirar”.
O verbo “esquecer”, quando empregado sem a anexação do pronome “se” (“esquecer-se”), não admite preposicionamento do complemento. Para facilitar a lembrança dessa norma, podemos dizer que “quem esquece esquece alguma coisa ou alguém”.
Ele nunca esqueceu a nossa recomendação.
Ele nunca esqueceu as nossas recomedações.
Caso se empregue tal verbo como verbo pronominal, isto é, anexando-se o “se”, a construção obriga o preposicionamento. Assim, “quem se esquece esquece-se de alguma coisa ou de alguém”.
Ele nunca se esqueceu da nossa recomendação.
Ele nunca se esqueceu das nossas recomendações.
Há ainda uma terceira possibilidade, em que a “coisa” esquecida é o sujeito da oração, e a pessoa é o objeto indireto. Nesse caso, é importante lembrar que a “coisa” esquecida, caso esteja no plural, obrigará a colocação do verbo no plural.
Não lhe esqueceu a nossa recomendação.
Não lhe esqueceram as nossas recomendações.
Outros exemplos:
Lembrei o aniversário.
Lembrei os aniversários.
Lembrei-me do aniversário.
Lembrei-me dos aniversários.
Lembrou-me o aniversário.
Lembraram-me os aniversários.
A CONCESSÃO
A CONCESSÃO
Uma relação sintática muito solicitada nos vestibulares é a relação de concessão, que indica uma quebra de expectativa na frase.
Trata-se da relação indicada pelas conjunções “embora”, “ainda que”, “apesar de que”.
Além dessas conjunções, vale lembrar que também indicam concessão:
“conquanto”, “a despeito de”, “não obstante”.
Observemos o fragmento a seguir, do romance Dom Casmurro, de Machado de Assis:
“Ao entrar na sala, dei com um rapaz, de costas, mirando o busto de Massinissa, pintado na parede. Vim cauteloso, e não fiz rumor. Não obstante, ouviu-me os passos, e voltou-se depressa. Conheceu-me pelos retratos e correu para mim.”
Neste fragmento, a ideia é de que, “apesar de” eu ter vindo cauteloso, ele ouviu os meus passos e voltou-se depressa.
Uma relação sintática muito solicitada nos vestibulares é a relação de concessão, que indica uma quebra de expectativa na frase.
Trata-se da relação indicada pelas conjunções “embora”, “ainda que”, “apesar de que”.
Além dessas conjunções, vale lembrar que também indicam concessão:
“conquanto”, “a despeito de”, “não obstante”.
Observemos o fragmento a seguir, do romance Dom Casmurro, de Machado de Assis:
“Ao entrar na sala, dei com um rapaz, de costas, mirando o busto de Massinissa, pintado na parede. Vim cauteloso, e não fiz rumor. Não obstante, ouviu-me os passos, e voltou-se depressa. Conheceu-me pelos retratos e correu para mim.”
Neste fragmento, a ideia é de que, “apesar de” eu ter vindo cauteloso, ele ouviu os meus passos e voltou-se depressa.
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
ONDE - AONDE
ONDE - AONDE
A respeito de um jogador de futebol, o Jornal da Orla publicou o seguinte comentário de um dirigente: “Ele não continuará mais conosco e isso já está definido há algum tempo. Não sei como ficaria a cabeça dele, para atuar numa decisão. Espero que ele tenha sucesso no prosseguimento de sua carreira, aonde quer que jogue.”
O que o texto possibilita é um comentário sobre o emprego de "aonde", palavra formada pela junção de a + onde. Devemos lembrar que só é correto o emprego de “aonde” quando houver na frase uma palavra que exige o emprego da preposição “a”.
Por exemplo, sabemos que o verbo “ir” exige a preposição “a”: quem vai, vai a algum lugar. Assim, sempre que houver na frase o verbo “ir”, relacionado à palavra “onde”, deve-se empregar a preposição “a”, que formará a contração “aonde”, como no exemplo: “Não sabemos aonde irão os manifestantes.”
Caso não haja na frase uma palavra que exige a preposição “a”, não é correto o emprego de “aonde”. No texto aqui apresentado, há o verbo “jogar”. Quem joga, joga em algum lugar, portanto não há motivo para que se empregue “aonde” nessa situação.
Veja os exemplos a seguir.
“Não sei aonde você quer chegar.” – quem chega, chega a algum lugar
“Os amigos estarão sempre onde estivermos.” – quem está, está em algum lugar
“Aonde vão vocês? – perguntou o balconista.” – quem vai, vai a algum lugar
A respeito de um jogador de futebol, o Jornal da Orla publicou o seguinte comentário de um dirigente: “Ele não continuará mais conosco e isso já está definido há algum tempo. Não sei como ficaria a cabeça dele, para atuar numa decisão. Espero que ele tenha sucesso no prosseguimento de sua carreira, aonde quer que jogue.”
O que o texto possibilita é um comentário sobre o emprego de "aonde", palavra formada pela junção de a + onde. Devemos lembrar que só é correto o emprego de “aonde” quando houver na frase uma palavra que exige o emprego da preposição “a”.
Por exemplo, sabemos que o verbo “ir” exige a preposição “a”: quem vai, vai a algum lugar. Assim, sempre que houver na frase o verbo “ir”, relacionado à palavra “onde”, deve-se empregar a preposição “a”, que formará a contração “aonde”, como no exemplo: “Não sabemos aonde irão os manifestantes.”
Caso não haja na frase uma palavra que exige a preposição “a”, não é correto o emprego de “aonde”. No texto aqui apresentado, há o verbo “jogar”. Quem joga, joga em algum lugar, portanto não há motivo para que se empregue “aonde” nessa situação.
Veja os exemplos a seguir.
“Não sei aonde você quer chegar.” – quem chega, chega a algum lugar
“Os amigos estarão sempre onde estivermos.” – quem está, está em algum lugar
“Aonde vão vocês? – perguntou o balconista.” – quem vai, vai a algum lugar
ACERCA DE - A CERCA DE - HÁ CERCA DE
ACERCA DE – A CERCA DE – HÁ CERCA DE
“acerca de” significa “sobre”, “a respeito de”: Comentou os dados acerca de um famoso autor.
“a cerca de”, expressão em que “cerca de” é uma locução que significa “perto de”, “próximo de”, “junto de”, “aproximadamente”: A cerca de dois quilômetros da casa vimos a capivara. O exército ficou reduzido a cerca de 600 homens. Cerca de duzentos barcos participaram do passeio pela baía.
“há cerca de”, expressão formada pela mesma locução anterior ("cerca de"), que significa “perto de”, “próximo de”, “junto de”, “aproximadamente”, agora com a forma verbal “há”, indicando tempo passado: Há cerca de vinte anos venho alertando o pessoal sobre o problema.
“acerca de” significa “sobre”, “a respeito de”: Comentou os dados acerca de um famoso autor.
“a cerca de”, expressão em que “cerca de” é uma locução que significa “perto de”, “próximo de”, “junto de”, “aproximadamente”: A cerca de dois quilômetros da casa vimos a capivara. O exército ficou reduzido a cerca de 600 homens. Cerca de duzentos barcos participaram do passeio pela baía.
“há cerca de”, expressão formada pela mesma locução anterior ("cerca de"), que significa “perto de”, “próximo de”, “junto de”, “aproximadamente”, agora com a forma verbal “há”, indicando tempo passado: Há cerca de vinte anos venho alertando o pessoal sobre o problema.
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