Observe a seguinte manchete publicada no jornal Folha de S.Paulo:
Lula afirma que já avisou o papa de que TV pública será laica
Comentário
O texto desta manchete, apesar de soar aparentemente “estranho”, está corretíssimo.
Normalmente, a língua falada nos dá a impressão de que a preposição “de” deveria ser omitida neste texto, ou seja: Lula afirma que já avisou o papa que TV pública será laica.
No entanto, o verbo “avisar”, de acordo com o emprego adotado nesta manchete, deve ter dois complementos, um sem preposição e outro com preposição. Trata-se do mecanismo utilizado quando estudamos complementos verbais: avisar alguém DE alguma coisa, ou avisar alguma coisa A alguém.
Neste caso, o autor do texto optou pela forma “avisar alguém (o papa) DE alguma coisa (de que a TV pública será laica)”.
Portanto, a construção aqui apresentada está correta, rigorosamente de acordo com a norma culta da língua.
terça-feira, 22 de novembro de 2011
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
MELHOR-MAIS BEM
“Paralelamente às aulas regulares, as escolas melhor classificadas no ranking do Enem têm atividades extracurriculares, laboratórios de redação, aulas de atualidades a partir da leitura de jornais, plantões de dúvidas e um rigoroso sistema de avaliação anual.”
O emprego da forma "melhor", neste trecho, contraria o que a norma culta da língua estabelece.
O adjetivo "classificadas", formado do particípio do verbo "classificar", deve ser antecedido de "mais bem", e não de "melhor", uma vez que o advérbio "mais", nesse caso, refere-se a "bem classificadas", e não apenas a "bem".
Caso não haja o adjetivo formado de um particípio, o advérbio "mais" estará referindo-se apenas a "bem", obrigando a forma "melhor".
Assim, atenção às seguintes construções:
Ele escreve melhor que nós.
Aquelas moças estão mais bem arrumadas que as da nossa turma.
Seu cabelo está mais bem cortado que o meu.
Hoje os internos estão passando melhor do que estavam ontem.
O emprego da forma "melhor", neste trecho, contraria o que a norma culta da língua estabelece.
O adjetivo "classificadas", formado do particípio do verbo "classificar", deve ser antecedido de "mais bem", e não de "melhor", uma vez que o advérbio "mais", nesse caso, refere-se a "bem classificadas", e não apenas a "bem".
Caso não haja o adjetivo formado de um particípio, o advérbio "mais" estará referindo-se apenas a "bem", obrigando a forma "melhor".
Assim, atenção às seguintes construções:
Ele escreve melhor que nós.
Aquelas moças estão mais bem arrumadas que as da nossa turma.
Seu cabelo está mais bem cortado que o meu.
Hoje os internos estão passando melhor do que estavam ontem.
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Bastante ou muito?
A aluna Gabriela envia uma pergunta muito interessante, a respeito de uma construção utilizada em uma frase que ela leu em um jornal diário da cidade de São Paulo. Ela diz que achou um pouco "estranha" esta construção: "O setor afirma, não sem razão, que a carga de impostos aqui é bastante mais pesada que no exterior."
A dúvida da Gabriela é quanto ao emprego da palavra "bastante": ela pergunta se "bastante mais pesada" é uma construção correta.
Vamos lembrar que "bastante" significa "o que basta, o que é suficiente". Assim, R$ 1,00, que não é muito dinheiro, é "bastante" para comprar algumas balas de hortelã. Da mesma maneira, R$ 1.000.000,00, que é muito dinheiro, não é "bastante" para comprar um avião a jato.
Podemos dizer, portanto, que o emprego da palavra "bastante", na frase a que a Gabriela se referiu, não é de fato adequado, pois o entendimento seria de que "a carga de impostos aqui é "suficientemente" mais pesada que no exterior". É fácil entender que a intenção do autor da frase era chamar a atenção para o fato de que "a carga de impostos aqui é "muito" mais pesada que no exterior", e não que essa "carga de impostos aqui é "suficientemente" mais pesada que no exterior".
Continuem enviando as suas dúvidas.
Até a próxima.
A dúvida da Gabriela é quanto ao emprego da palavra "bastante": ela pergunta se "bastante mais pesada" é uma construção correta.
Vamos lembrar que "bastante" significa "o que basta, o que é suficiente". Assim, R$ 1,00, que não é muito dinheiro, é "bastante" para comprar algumas balas de hortelã. Da mesma maneira, R$ 1.000.000,00, que é muito dinheiro, não é "bastante" para comprar um avião a jato.
Podemos dizer, portanto, que o emprego da palavra "bastante", na frase a que a Gabriela se referiu, não é de fato adequado, pois o entendimento seria de que "a carga de impostos aqui é "suficientemente" mais pesada que no exterior". É fácil entender que a intenção do autor da frase era chamar a atenção para o fato de que "a carga de impostos aqui é "muito" mais pesada que no exterior", e não que essa "carga de impostos aqui é "suficientemente" mais pesada que no exterior".
Continuem enviando as suas dúvidas.
Até a próxima.
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Esquecer DE alguém?
Um aluno envia um trecho de uma notícia publicada em um jornal diário da cidade de São Paulo: "Esse prêmio trata o Oriente como a fonte do mais novo e interessante cinema, sem esquecer, no entanto, das produções que vêm de Hollywood."
Ele estranhou o emprego da contração "das" ("...sem esquecer, no entanto, das produções"...).
A observação do aluno é muito interessante, pois o verbo "esquecer", quando empregado sem a anexação do pronome “se” (“esquecer", e não "esquecer-se"), não admite complemento preposicionado. Só é correto preposicionar o complemento se o verbo for "esquecer-se". Para facilitar a lembrança dessa norma, podemos dizer que “quem esquece esquece alguma coisa ou alguém”, e “quem se esquece esquece-se de alguma coisa ou de alguém”. Assim, no trecho aqui citado, o complemento “produções” não deveria ser preposionado, ficando: “..., sem esquecer, no entanto, as produções...”. Também estaria de acordo com a norma culta da língua a construção: “..., sem esquecer-se, no entanto, das produções...”.
Ele estranhou o emprego da contração "das" ("...sem esquecer, no entanto, das produções"...).
A observação do aluno é muito interessante, pois o verbo "esquecer", quando empregado sem a anexação do pronome “se” (“esquecer", e não "esquecer-se"), não admite complemento preposicionado. Só é correto preposicionar o complemento se o verbo for "esquecer-se". Para facilitar a lembrança dessa norma, podemos dizer que “quem esquece esquece alguma coisa ou alguém”, e “quem se esquece esquece-se de alguma coisa ou de alguém”. Assim, no trecho aqui citado, o complemento “produções” não deveria ser preposionado, ficando: “..., sem esquecer, no entanto, as produções...”. Também estaria de acordo com a norma culta da língua a construção: “..., sem esquecer-se, no entanto, das produções...”.
sábado, 7 de maio de 2011
TODA - TODA A
Um amigo me pergunta sobre a chamada a seguir, de uma agência de turismo em São Paulo:
Resorts no Caribe oferecem diversão para toda a família.
Chamou a atenção desse meu amigo o emprego do artigo “a” antes de “família”: esse emprego está de acordo com a norma culta da língua?
Quanto à correção, a construção está dentro do que estabelece a norma culta da língua.
Porém, o que vale observar nesse caso é o sentido que se realiza com esse emprego.
Quando empregamos o artigo “a” depois de “toda”, a palavra “toda” passa a significar “inteira”. Portanto, dizer “toda a família” significa dizer “a família inteira”.
Já a omissão do “a”, nesse caso, provoca uma mudança de sentido. Se dizemos “toda família”, a palavra “toda” passa a significar “qualquer”. Também nesse caso a construção está de acordo com a norma culta da língua, devendo-se observar que o sentido passa a ser que “os resorts do Caribe oferecem diversão para qualquer família”.
Relembrando:
“Resorts do Caribe oferecem diversão para toda família” significa que os resorts do Caribe oferecem diversão para qualquer família.
“Resorts do Caribe oferecem diversão para toda a família” significa que os resorts do Caribe oferecem diversão para a família inteira, isto é, para todos os seus integrantes.
Continuem enviando suas dúvidas.
Até breve.
Resorts no Caribe oferecem diversão para toda a família.
Chamou a atenção desse meu amigo o emprego do artigo “a” antes de “família”: esse emprego está de acordo com a norma culta da língua?
Quanto à correção, a construção está dentro do que estabelece a norma culta da língua.
Porém, o que vale observar nesse caso é o sentido que se realiza com esse emprego.
Quando empregamos o artigo “a” depois de “toda”, a palavra “toda” passa a significar “inteira”. Portanto, dizer “toda a família” significa dizer “a família inteira”.
Já a omissão do “a”, nesse caso, provoca uma mudança de sentido. Se dizemos “toda família”, a palavra “toda” passa a significar “qualquer”. Também nesse caso a construção está de acordo com a norma culta da língua, devendo-se observar que o sentido passa a ser que “os resorts do Caribe oferecem diversão para qualquer família”.
Relembrando:
“Resorts do Caribe oferecem diversão para toda família” significa que os resorts do Caribe oferecem diversão para qualquer família.
“Resorts do Caribe oferecem diversão para toda a família” significa que os resorts do Caribe oferecem diversão para a família inteira, isto é, para todos os seus integrantes.
Continuem enviando suas dúvidas.
Até breve.
terça-feira, 12 de abril de 2011
HOUVE-HOUVERAM
Um amigo diz que estranhou o emprego de uma forma do verbo "haver" em um jornal de uma cidade do litoral de São Paulo. Trata-se da forma "houveram", em que o verbo "haver" tem o sentido de "ocorrer". Ele me manda o trecho com o referido emprego: "Durante a Segunda Guerra Mundial, houveram desentendimentos entre os soldados que eram candidatos a morrer." Vamos lembrar que o verbo “haver”, quando empregado no sentido de “ocorrer”, é um verbo impessoal, isto é, não tem sujeito, o que não permite que a forma verbal seja empregada no plural, pois a flexão só é possível, de acordo com a norma culta da língua, quando há um sujeito plural, com o qual o verbo deverá concordar. Assim, sempre que o verbo “haver” for empregado no sentido de “ocorrer”, ele deverá permanecer na 3a pessoa do singular. Por isso, a forma verbal a ser empregada no texto aqui transcrito deveria ser: “Durante a Segunda Guerra Mundial, houve desentendimentos entre os soldados que eram candidatos a morrer.” Essa mesma regra vale para o verbo "haver" quando empregado no sentido de "existir" e "acontecer".
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Este ou Esse? Isto ou Isso?
Muitos nos perguntam sobre o correto emprego dos pronomes demonstrativos “este(a)(s)”, “esse(a)(s)”, "aquele(a)(s)", “isto”, “isso”, “aquilo”. Para uma boa compreensão do emprego desses demonstrativos, devemos entender que há três situações mais frequentes de uso desses pronomes. A primeira delas é o uso do demonstrativo empregado para a indicação do “lugar” de um “objeto”. Quando o “objeto” está próximo da pessoa que fala, usa-se “este(a)(s)” e “isto”. Assim, o emissor diria, ao referir-se à sua própria camisa: “Esta camisa que estou usando foi presente de minha irmã.” Já para o objeto próximo da pessoa com quem se fala, usa-se “esse(a)(s)” e “isso”. Assim, o emissor, ao referir-se à camisa que está sendo usada por seu interlocutor, diria: “Essa camisa que você está usando é muito parecida com uma que vi na loja.” Vale lembrar que, quando se trata de tempo, o tempo atual é marcado pelos demonstrativos "este(a)(s)" e "isto", como em: "Esta semana (trata-se da semana em que estamos) é decisiva para os nossos negócios." Para um período de tempo que não seja o atual, deve-se usar "esse(a)(s)" ou "isso", como em: "A última semana do mês passado foi muito agitada. Por isso, essa semana (trata-se da última semana do mês passado) será sempre lembrada pelos nossos colegas de trabalho." A segunda situação é o uso do pronome demonstrativo para nos referirmos ao que já foi citado, ou para nos referirmos àquilo que ainda será citado. Para o que será citado, devemos empregar “este(a)(s)” ou “isto”, como na frase a seguir: “Os principais produtos daquela região são estes: banana, mamão e pêssego.” Para o que já foi citado, devemos empregar “esse(a)(s)” ou “isso”, como em: “Banana, mamão e pêssego, esses são os principais produtos daquela região.” A terceira situação é aquela em que mencionamos dois elementos e queremos fazer referência a cada um deles, em separado, na sequência do texto. Para isso, devemos empregar os pronomes “este(a)(s)” e “isto” para nos referirmos ao elemento mais próximo, e os pronomes “aquele(a)(s)” e “aquilo” para o elemento mais distante. Assim, teremos: “Gosto muito de Drummond e de Machado de Assis. Este me encantou desde a primeira vez em que li Dom Casmurro; aquele sempre está presente em minha vida com seus poemas.”, onde “este” refere-se a Machado de Assis e “aquele” refere-se a Drummond. Continuem enviando suas dúvidas. Contamos com a sua participação. Até a próxima!
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