quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Vamos trabalhar juntos

Retomamos hoje uma rotina que pretendemos tornar de utilidade para todos, principalmente para aqueles que começam a caminhada final para os vestibulares.
Nosso blog trará comentários sobre formas de expressão, principalmente. Para isso, pedimos que enviem algumas sugestões de dúvidas quanto à correção de textos. Essa prática possibilitará comentários práticos, de grande valia para a produção de textos de cada um.
Começamos hoje com uma frase que apresenta ambiguidade.
Um jornal diário da cidade de São Paulo publicou, no dia 11 de fevereiro passado, a seguinte manchete:
Roberto Carlos vai pedir para deixar o Corinthians hoje
Observemos as duas possibilidades.
1- Roberto Carlos vai PEDIR HOJE para deixar o Corinthians, ou
2- Roberto Carlos vai pedir para DEIXAR O CORINTHIANS HOJE.
Lendo a matéria, e entendendo o contexto em que foi gerada a notícia, sabemos que o jogador pediria NAQUELE DIA a sua rescisão de contrato com o clube.
Dessa forma, a ambiguidade poderia ter sido desfeita com a alteração da ordem em que as palavras figuram na frase:
Hoje, Roberto Carlos vai pedir para deixar o Corinthians.
Aguardamos suas sugestões.
Até a próxima.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Doação de livros

O Banco Itaú tem um projeto chamado "Itaú Criança", que consiste em doar um kit com 4 livros infantis.
O interessado deve cadastrar-se no site www.lerfazcrescer.com.br , para receber gratuitamente o kit.
Vamos divulgar essas oportunidades de incentivar a leitura!

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Na medida em que

Um amigo envia um fragmento de notícia veiculada em um jornal de circulação no litoral paulista, para saber se o emprego de "na medida em que" está de acordo com a norma culta da língua. O fragmento é o seguinte:

"O avanço do álcool como opção energética pode trazer inúmeros benefícios ao Brasil, principalmente no mercado externo, na medida em que o combustível de cana-de-açúcar começar a ser adotado por outros países. O grande desafio, porém, é evitar que áreas utilizadas em outras culturas agrícolas virem um “mar” de canaviais."

A pergunta do amigo é muito interessante, pois esse elemento de ligação é muito frequentemente empregado com a intenção de indicar proporcionalidade, o que não é correto.

No trecho destacado, a ideia que há entre as orações ligadas por esse elemento é a ideia de proporcionalidade, isto é, à proporção que o combustível de cana-de-açúcar começar a ser adotado por outros países, o avanço do álcool como opção energética poderá trazer inúmeros benefícios ao Brasil. Assim, podemos entender que, quanto mais o combustível de cana-de-açúcar for adotado por outros países, tanto maiores serão os benefícios para o Brasil.

Vamos lembrar que “na medida em que” tem valor causal, equivalente a “porque”, que não é o adequado, conforme a norma culta da língua, para estabelecer relação de proporcionalidade. Nesse caso, deveria ser utilizado ali “à medida que”, que daria a ideia pretendida, ou seja, a ideia de proporcionalidade entre as orações.

O correto emprego dos elementos coesivos em uma redação é condição mínima para um texto que pretende uma boa nota em um vestibular.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Vírgula antes da conjunção "e"

Um jornal diário da cidade de São Paulo veiculou a seguinte manchete sobre um dia tumultuado no Aeroporto Internacional de Guarulhos:
Gol cancela 300 voos e milhares lotam aeroportos
Esta manchete proporciona um interessante comentário sobre o uso da vírgula. De acordo com a norma culta da língua, se houver orações ligadas pela conjunção “e”, e os sujeitos dessas orações forem diferentes, é obrigatório utilizar a vírgula antes da conjunção “e”. Portanto, se o sujeito da primeira oração é “Gol”, pois ela “cancela 300 voos”, e o sujeito da segunda oração é “milhares”, pois eles “lotam aeroportos”, a manchete deveria ser, de acordo com a norma culta da língua:
Gol cancela 300 voos, e milhares lotam aeroportos
A atenção a essa regra pode valer um olhar muito simpático do examinador para uma redação em algum vestibular.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Chegam "à" ou "a" loja?

Um amigo comenta comigo o texto de chamada para matéria publicada no caderno de esportes de um jornal diário da cidade de São Paulo: Ganso e Neymar chegam a loja de brinquedos em São Paulo
A dúvida que ele coloca é se o "a" que antecede "loja de brinquedos" deveria ter o acento grave indicativo de crase.
Vamor lembrar que, para a ocorrência de crase, é necessário haver uma preposição "a" e um artigo "a".
No texto aqui mencionado, não há especificação, isto é, trata-se de uma loja não referida anteriormente, não "conhecida" naquele contexto comunicacional, o que impede o emprego do artigo. Dessa forma, o "a" é apenas uma preposição, portanto sem o acento grave, uma vez que não ocorreu ali o fenômeno da crase.
Para facilitar o entendimento, podemos substituir a expressão feminina "loja de brinquedos" por uma expressão masculina, gramaticalmete equivalente, por exemplo "shopping de brinquedos".
Teríamos, para o caso de um shopping não referido anteriormente, não "conhecido" naquele contexto comunicacional, a construção: Ganso e Neymar chegam a shopping de brinquedos em São Paulo. Com a substituição, fica fácil perceber que não houve o emprego do artigo, que seria, nesse caso, o artigo "o".
Já para a situação de um shopping referido anteriormente, "conhecido" naquele contexto comunicacional, teríamos: Ganso e Neymar chegam ao shopping de brinquedos em São Paulo.
Nessa construção, há o emprego do artigo "o", que equivaleria ao artigo "a" antecedente de "loja de brinquedos", caso se tratasse de loja referida anteriormente, já "conhecida" naquele contexto comunicacional.
Dessa forma, o texto utilizado como chamada está correto, naquela situação.

sábado, 3 de julho de 2010

Você não percebeu?

Em um jornal diário da cidade de São Paulo, lê-se a seguinte passagem, parte de matéria sobre Rosário Fusco, escritor mineiro nascido em 1910 e falecido em 1977:
"Apelidado de "monstro da Granjaria" (referência ao nome do bairro em que morava), seu comportamento excêntrico não passou desapercebido aos moradores."
A palavra "desapercebido", aqui empregada com a intenção de indicar "aquilo que os moradores não perceberam", não tem esse sentido. "Desapercebido" significa "desprovido", como no período: "O exército estava desapercebido de munição mais moderna.", isto é, o exército não possuía munição mais moderna. Vamos lembrar que "aquilo que não se percebe" passa "despercebido".
Se vocês prestarem atenção, verão que muitas pessoas cometem esse tipo de erro. A partir de agora, porém, vocês não estarão mais entre os que não sabem a diferença entre "despercebido" e "desapercebido", não é mesmo?

domingo, 13 de junho de 2010

Uma boa indicação

Não deixem de assistir ao filme As melhores coisas do mundo, que aborda problemas da fase juvenil, com um roteiro de rara felicidade quanto à percepção das situações que angustiam os jovens, passando pelos naturais questionamentos sobre sexo, sobre relação familiar e sobre as relações interpessoais no ambiente escolar.
Vale a pena conferir.