ARTE GEOPOLÍTICA Prêmio de Ang Lee é símbolo de um festival que trata o Oriente como a fonte do mais novo e interessante cinema, sem esquecer, no entanto, das produções que vem de Hollywood
(Legenda da foto de Ang Lee, ganhador do Leão de Ouro, prêmio principal do Festival de Veneza - publicada no jornal O Estado de S.Paulo)
Neste texto, há duas observações a fazer.
A primeira é em relação ao verbo “esquecer”, que vem complementado por “das produções que vem de Hollywood”. Vamos lembrar que o verbo “esquecer”, quando empregado sem a anexação do pronome “se” (“esquecer-se”), não admite preposicionamento do complemento. Para facilitar a lembrança dessa norma, podemos dizer que “quem esquece esquece alguma coisa ou alguém”, e “quem se esquece esquece-se de alguma coisa ou de alguém”. Assim, na passagem acima, o complemento “produções” não deveria ser preposionado, ficando: “..., sem esquecer, no entanto, as produções...”. Também estaria de acordo com a norma culta da língua a construção: “..., sem esquecer-se, no entanto, das produções...”.
A segunda observação diz respeito à forma verbal “vem”. Essa forma verbal refere-se a "produções" (“..., produções que vem...”). Gramaticalmente, sabemos que o sujeito do verbo “vir” é o pronome relativo “que”, que substitui “produções”, nome plural. Por isso, a forma do verbo “vir”, por referir-se à terceira pessoa do plural, deveria ser acentuada graficamente: “vêm”. A passagem destacada, portanto, estaria de acordo com a norma culta desta forma: “..., sem esquecer, no entanto, as produções que vêm de Hollywood”, ou: “..., sem esquecer-se, no entanto, das produções que vêm de Hollywood”.
terça-feira, 22 de novembro de 2011
HOUVE-HOUVERAM
Observe o seguinte texto, publicado no Jornal da Orla:
Durante a Segunda Guerra Mundial, houveram estudos nos soldados que eram candidatos a morrer. Eram feitos espermogramas em 100 homens antes da guerra e o resultado era razoável.
Neste texto, o que merece atenção é a forma verbal “houveram”, empregada na 3a pessoa do plural.
O verbo “haver”, quando empregado no sentido de “existir”, é um verbo impessoal, isto é, não tem sujeito, o que não permite que a forma verbal seja empregada no plural, pois a flexão só é possível, de acordo com a norma culta da língua, quando há um sujeito, com o qual o verbo deverá concordar.
Assim, sempre que o verbo “haver” for empregado no sentido de “existir”, ele deverá estar na 3a pessoal do singular.
Por isso, a forma verbal a ser empregada no texto aqui transcrito deveria ser:
“Durante a Segunda Guerra Mundial, houve estudos nos soldados que eram candidatos a morrer.”
Durante a Segunda Guerra Mundial, houveram estudos nos soldados que eram candidatos a morrer. Eram feitos espermogramas em 100 homens antes da guerra e o resultado era razoável.
Neste texto, o que merece atenção é a forma verbal “houveram”, empregada na 3a pessoa do plural.
O verbo “haver”, quando empregado no sentido de “existir”, é um verbo impessoal, isto é, não tem sujeito, o que não permite que a forma verbal seja empregada no plural, pois a flexão só é possível, de acordo com a norma culta da língua, quando há um sujeito, com o qual o verbo deverá concordar.
Assim, sempre que o verbo “haver” for empregado no sentido de “existir”, ele deverá estar na 3a pessoal do singular.
Por isso, a forma verbal a ser empregada no texto aqui transcrito deveria ser:
“Durante a Segunda Guerra Mundial, houve estudos nos soldados que eram candidatos a morrer.”
Avisar alguém DE alguma coisa
Observe a seguinte manchete publicada no jornal Folha de S.Paulo:
Lula afirma que já avisou o papa de que TV pública será laica
Comentário
O texto desta manchete, apesar de soar aparentemente “estranho”, está corretíssimo.
Normalmente, a língua falada nos dá a impressão de que a preposição “de” deveria ser omitida neste texto, ou seja: Lula afirma que já avisou o papa que TV pública será laica.
No entanto, o verbo “avisar”, de acordo com o emprego adotado nesta manchete, deve ter dois complementos, um sem preposição e outro com preposição. Trata-se do mecanismo utilizado quando estudamos complementos verbais: avisar alguém DE alguma coisa, ou avisar alguma coisa A alguém.
Neste caso, o autor do texto optou pela forma “avisar alguém (o papa) DE alguma coisa (de que a TV pública será laica)”.
Portanto, a construção aqui apresentada está correta, rigorosamente de acordo com a norma culta da língua.
Lula afirma que já avisou o papa de que TV pública será laica
Comentário
O texto desta manchete, apesar de soar aparentemente “estranho”, está corretíssimo.
Normalmente, a língua falada nos dá a impressão de que a preposição “de” deveria ser omitida neste texto, ou seja: Lula afirma que já avisou o papa que TV pública será laica.
No entanto, o verbo “avisar”, de acordo com o emprego adotado nesta manchete, deve ter dois complementos, um sem preposição e outro com preposição. Trata-se do mecanismo utilizado quando estudamos complementos verbais: avisar alguém DE alguma coisa, ou avisar alguma coisa A alguém.
Neste caso, o autor do texto optou pela forma “avisar alguém (o papa) DE alguma coisa (de que a TV pública será laica)”.
Portanto, a construção aqui apresentada está correta, rigorosamente de acordo com a norma culta da língua.
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
MELHOR-MAIS BEM
“Paralelamente às aulas regulares, as escolas melhor classificadas no ranking do Enem têm atividades extracurriculares, laboratórios de redação, aulas de atualidades a partir da leitura de jornais, plantões de dúvidas e um rigoroso sistema de avaliação anual.”
O emprego da forma "melhor", neste trecho, contraria o que a norma culta da língua estabelece.
O adjetivo "classificadas", formado do particípio do verbo "classificar", deve ser antecedido de "mais bem", e não de "melhor", uma vez que o advérbio "mais", nesse caso, refere-se a "bem classificadas", e não apenas a "bem".
Caso não haja o adjetivo formado de um particípio, o advérbio "mais" estará referindo-se apenas a "bem", obrigando a forma "melhor".
Assim, atenção às seguintes construções:
Ele escreve melhor que nós.
Aquelas moças estão mais bem arrumadas que as da nossa turma.
Seu cabelo está mais bem cortado que o meu.
Hoje os internos estão passando melhor do que estavam ontem.
O emprego da forma "melhor", neste trecho, contraria o que a norma culta da língua estabelece.
O adjetivo "classificadas", formado do particípio do verbo "classificar", deve ser antecedido de "mais bem", e não de "melhor", uma vez que o advérbio "mais", nesse caso, refere-se a "bem classificadas", e não apenas a "bem".
Caso não haja o adjetivo formado de um particípio, o advérbio "mais" estará referindo-se apenas a "bem", obrigando a forma "melhor".
Assim, atenção às seguintes construções:
Ele escreve melhor que nós.
Aquelas moças estão mais bem arrumadas que as da nossa turma.
Seu cabelo está mais bem cortado que o meu.
Hoje os internos estão passando melhor do que estavam ontem.
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Bastante ou muito?
A aluna Gabriela envia uma pergunta muito interessante, a respeito de uma construção utilizada em uma frase que ela leu em um jornal diário da cidade de São Paulo. Ela diz que achou um pouco "estranha" esta construção: "O setor afirma, não sem razão, que a carga de impostos aqui é bastante mais pesada que no exterior."
A dúvida da Gabriela é quanto ao emprego da palavra "bastante": ela pergunta se "bastante mais pesada" é uma construção correta.
Vamos lembrar que "bastante" significa "o que basta, o que é suficiente". Assim, R$ 1,00, que não é muito dinheiro, é "bastante" para comprar algumas balas de hortelã. Da mesma maneira, R$ 1.000.000,00, que é muito dinheiro, não é "bastante" para comprar um avião a jato.
Podemos dizer, portanto, que o emprego da palavra "bastante", na frase a que a Gabriela se referiu, não é de fato adequado, pois o entendimento seria de que "a carga de impostos aqui é "suficientemente" mais pesada que no exterior". É fácil entender que a intenção do autor da frase era chamar a atenção para o fato de que "a carga de impostos aqui é "muito" mais pesada que no exterior", e não que essa "carga de impostos aqui é "suficientemente" mais pesada que no exterior".
Continuem enviando as suas dúvidas.
Até a próxima.
A dúvida da Gabriela é quanto ao emprego da palavra "bastante": ela pergunta se "bastante mais pesada" é uma construção correta.
Vamos lembrar que "bastante" significa "o que basta, o que é suficiente". Assim, R$ 1,00, que não é muito dinheiro, é "bastante" para comprar algumas balas de hortelã. Da mesma maneira, R$ 1.000.000,00, que é muito dinheiro, não é "bastante" para comprar um avião a jato.
Podemos dizer, portanto, que o emprego da palavra "bastante", na frase a que a Gabriela se referiu, não é de fato adequado, pois o entendimento seria de que "a carga de impostos aqui é "suficientemente" mais pesada que no exterior". É fácil entender que a intenção do autor da frase era chamar a atenção para o fato de que "a carga de impostos aqui é "muito" mais pesada que no exterior", e não que essa "carga de impostos aqui é "suficientemente" mais pesada que no exterior".
Continuem enviando as suas dúvidas.
Até a próxima.
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Esquecer DE alguém?
Um aluno envia um trecho de uma notícia publicada em um jornal diário da cidade de São Paulo: "Esse prêmio trata o Oriente como a fonte do mais novo e interessante cinema, sem esquecer, no entanto, das produções que vêm de Hollywood."
Ele estranhou o emprego da contração "das" ("...sem esquecer, no entanto, das produções"...).
A observação do aluno é muito interessante, pois o verbo "esquecer", quando empregado sem a anexação do pronome “se” (“esquecer", e não "esquecer-se"), não admite complemento preposicionado. Só é correto preposicionar o complemento se o verbo for "esquecer-se". Para facilitar a lembrança dessa norma, podemos dizer que “quem esquece esquece alguma coisa ou alguém”, e “quem se esquece esquece-se de alguma coisa ou de alguém”. Assim, no trecho aqui citado, o complemento “produções” não deveria ser preposionado, ficando: “..., sem esquecer, no entanto, as produções...”. Também estaria de acordo com a norma culta da língua a construção: “..., sem esquecer-se, no entanto, das produções...”.
Ele estranhou o emprego da contração "das" ("...sem esquecer, no entanto, das produções"...).
A observação do aluno é muito interessante, pois o verbo "esquecer", quando empregado sem a anexação do pronome “se” (“esquecer", e não "esquecer-se"), não admite complemento preposicionado. Só é correto preposicionar o complemento se o verbo for "esquecer-se". Para facilitar a lembrança dessa norma, podemos dizer que “quem esquece esquece alguma coisa ou alguém”, e “quem se esquece esquece-se de alguma coisa ou de alguém”. Assim, no trecho aqui citado, o complemento “produções” não deveria ser preposionado, ficando: “..., sem esquecer, no entanto, as produções...”. Também estaria de acordo com a norma culta da língua a construção: “..., sem esquecer-se, no entanto, das produções...”.
sábado, 7 de maio de 2011
TODA - TODA A
Um amigo me pergunta sobre a chamada a seguir, de uma agência de turismo em São Paulo:
Resorts no Caribe oferecem diversão para toda a família.
Chamou a atenção desse meu amigo o emprego do artigo “a” antes de “família”: esse emprego está de acordo com a norma culta da língua?
Quanto à correção, a construção está dentro do que estabelece a norma culta da língua.
Porém, o que vale observar nesse caso é o sentido que se realiza com esse emprego.
Quando empregamos o artigo “a” depois de “toda”, a palavra “toda” passa a significar “inteira”. Portanto, dizer “toda a família” significa dizer “a família inteira”.
Já a omissão do “a”, nesse caso, provoca uma mudança de sentido. Se dizemos “toda família”, a palavra “toda” passa a significar “qualquer”. Também nesse caso a construção está de acordo com a norma culta da língua, devendo-se observar que o sentido passa a ser que “os resorts do Caribe oferecem diversão para qualquer família”.
Relembrando:
“Resorts do Caribe oferecem diversão para toda família” significa que os resorts do Caribe oferecem diversão para qualquer família.
“Resorts do Caribe oferecem diversão para toda a família” significa que os resorts do Caribe oferecem diversão para a família inteira, isto é, para todos os seus integrantes.
Continuem enviando suas dúvidas.
Até breve.
Resorts no Caribe oferecem diversão para toda a família.
Chamou a atenção desse meu amigo o emprego do artigo “a” antes de “família”: esse emprego está de acordo com a norma culta da língua?
Quanto à correção, a construção está dentro do que estabelece a norma culta da língua.
Porém, o que vale observar nesse caso é o sentido que se realiza com esse emprego.
Quando empregamos o artigo “a” depois de “toda”, a palavra “toda” passa a significar “inteira”. Portanto, dizer “toda a família” significa dizer “a família inteira”.
Já a omissão do “a”, nesse caso, provoca uma mudança de sentido. Se dizemos “toda família”, a palavra “toda” passa a significar “qualquer”. Também nesse caso a construção está de acordo com a norma culta da língua, devendo-se observar que o sentido passa a ser que “os resorts do Caribe oferecem diversão para qualquer família”.
Relembrando:
“Resorts do Caribe oferecem diversão para toda família” significa que os resorts do Caribe oferecem diversão para qualquer família.
“Resorts do Caribe oferecem diversão para toda a família” significa que os resorts do Caribe oferecem diversão para a família inteira, isto é, para todos os seus integrantes.
Continuem enviando suas dúvidas.
Até breve.
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