domingo, 13 de março de 2011
Um perigo iminente
Um amigo acha estranho o emprego de uma palavra em um informe publicitário e pergunta se está correto o emprego da palavra "eminência" naquela passagem.
Vejamos o texto do informe.
"Diante da eminência de uma grave crise, ocasionada pela prevista alteração do clima e por suas consequências desastrosas – como as já vivenciadas enchentes e secas -, a comunidade internacional busca formas de amenizar os efeitos da degradação, acertar as contas com a natureza e garantir o bem-estar das próximas gerações."
Chamou a atenção do amigo a palavra “eminência”, que significa “importância”, "supremacia". Lembremos uma construção em que aparece o adjetivo “eminente”, referindo-se a alguém ilustre, respeitável, muito importante: “O eminente professor recebeu as justas homenagens por seu trabalho exemplar ao longo dos últimos trinta e cinco anos.”
No texto aqui reproduzido, no entanto, a ideia não é de importância, mas de “possibilidade de ocorrência”, o que indicaria o uso de “iminência”, ou seja, “qualidade do que está prestes a acontecer”.
Devemos entender que, nesse caso, “a comunidade internacional busca formas de amenizar os efeitos da degradação, acertar as contas com a natureza e garantir o bem-estar das próximas gerações”, diante da grande possibilidade de ocorrer uma grave crise, diante, portanto, da iminência de uma grave crise.
Vale lembrar inda que, embora a "grave crise" referida no informe seja muito importante, a intenção do autor do texto é chamar a atenção para a "possibilidade de ocorrência", daí a inadequação do emprego de "eminência".
Até a próxima. Aguardamos suas dúvidas.
Vejamos o texto do informe.
"Diante da eminência de uma grave crise, ocasionada pela prevista alteração do clima e por suas consequências desastrosas – como as já vivenciadas enchentes e secas -, a comunidade internacional busca formas de amenizar os efeitos da degradação, acertar as contas com a natureza e garantir o bem-estar das próximas gerações."
Chamou a atenção do amigo a palavra “eminência”, que significa “importância”, "supremacia". Lembremos uma construção em que aparece o adjetivo “eminente”, referindo-se a alguém ilustre, respeitável, muito importante: “O eminente professor recebeu as justas homenagens por seu trabalho exemplar ao longo dos últimos trinta e cinco anos.”
No texto aqui reproduzido, no entanto, a ideia não é de importância, mas de “possibilidade de ocorrência”, o que indicaria o uso de “iminência”, ou seja, “qualidade do que está prestes a acontecer”.
Devemos entender que, nesse caso, “a comunidade internacional busca formas de amenizar os efeitos da degradação, acertar as contas com a natureza e garantir o bem-estar das próximas gerações”, diante da grande possibilidade de ocorrer uma grave crise, diante, portanto, da iminência de uma grave crise.
Vale lembrar inda que, embora a "grave crise" referida no informe seja muito importante, a intenção do autor do texto é chamar a atenção para a "possibilidade de ocorrência", daí a inadequação do emprego de "eminência".
Até a próxima. Aguardamos suas dúvidas.
quarta-feira, 2 de março de 2011
ONDE ou AONDE?
Muitas pessoas têm dúvida quanto ao emprego de "onde" e "aonde". É muito comum observarmos essa dúvida em várias situações.
E quando é que empregamos "onde" e "aonde"?
Vamos utilizar para exemplo o trecho a seguir, publicado em um jornal local de uma cidade do litoral paulista: "Espero que ele tenha sucesso no prosseguimento de sua carreira, aonde quer que jogue.”
A palavra destacada no trecho, "aonde", é formada pela junção de a + onde, isto é, trata-se da contração da preposição "a" com o advérbio "onde". O que devemos lembrar é que só é correto o emprego de “aonde” quando houver na frase uma palavra que exige o emprego da preposição “a”.
Por exemplo, sabemos que o verbo “ir” exige a preposição “a”: quem vai, vai a algum lugar. Assim, sempre que houver na frase o verbo “ir”, relacionado à palavra “onde”, deve-se empregar a preposição “a”, que formará a contração “aonde”, como no exemplo: “Não sabemos aonde irão os manifestantes.”
Caso não haja na frase uma palavra que exige a preposição “a”, não é correto o emprego de “aonde”. No trecho destacado, há o verbo “jogar”. Quem joga, joga em algum lugar, portanto não há motivo para que se empregue “aonde” nessa situação. Portanto, no exemplo escolhido, o correto seria: "Espero que ele tenha sucesso no prosseguimento de sua carreira, onde quer que jogue."
Vejamos os exemplos a seguir.
“Não sei aonde você quer chegar.” – quem chega, chega a algum lugar
“Os amigos estarão sempre onde estivermos.” – quem está, está em algum lugar
“Aonde vão vocês? – perguntou o balconista.” – quem vai, vai a algum lugar
Até a próxima dúvida. Estamos aguardando suas sugestões para os nossos comentários.
E quando é que empregamos "onde" e "aonde"?
Vamos utilizar para exemplo o trecho a seguir, publicado em um jornal local de uma cidade do litoral paulista: "Espero que ele tenha sucesso no prosseguimento de sua carreira, aonde quer que jogue.”
A palavra destacada no trecho, "aonde", é formada pela junção de a + onde, isto é, trata-se da contração da preposição "a" com o advérbio "onde". O que devemos lembrar é que só é correto o emprego de “aonde” quando houver na frase uma palavra que exige o emprego da preposição “a”.
Por exemplo, sabemos que o verbo “ir” exige a preposição “a”: quem vai, vai a algum lugar. Assim, sempre que houver na frase o verbo “ir”, relacionado à palavra “onde”, deve-se empregar a preposição “a”, que formará a contração “aonde”, como no exemplo: “Não sabemos aonde irão os manifestantes.”
Caso não haja na frase uma palavra que exige a preposição “a”, não é correto o emprego de “aonde”. No trecho destacado, há o verbo “jogar”. Quem joga, joga em algum lugar, portanto não há motivo para que se empregue “aonde” nessa situação. Portanto, no exemplo escolhido, o correto seria: "Espero que ele tenha sucesso no prosseguimento de sua carreira, onde quer que jogue."
Vejamos os exemplos a seguir.
“Não sei aonde você quer chegar.” – quem chega, chega a algum lugar
“Os amigos estarão sempre onde estivermos.” – quem está, está em algum lugar
“Aonde vão vocês? – perguntou o balconista.” – quem vai, vai a algum lugar
Até a próxima dúvida. Estamos aguardando suas sugestões para os nossos comentários.
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Vamos trabalhar juntos
Retomamos hoje uma rotina que pretendemos tornar de utilidade para todos, principalmente para aqueles que começam a caminhada final para os vestibulares.
Nosso blog trará comentários sobre formas de expressão, principalmente. Para isso, pedimos que enviem algumas sugestões de dúvidas quanto à correção de textos. Essa prática possibilitará comentários práticos, de grande valia para a produção de textos de cada um.
Começamos hoje com uma frase que apresenta ambiguidade.
Um jornal diário da cidade de São Paulo publicou, no dia 11 de fevereiro passado, a seguinte manchete:
Roberto Carlos vai pedir para deixar o Corinthians hoje
Observemos as duas possibilidades.
1- Roberto Carlos vai PEDIR HOJE para deixar o Corinthians, ou
2- Roberto Carlos vai pedir para DEIXAR O CORINTHIANS HOJE.
Lendo a matéria, e entendendo o contexto em que foi gerada a notícia, sabemos que o jogador pediria NAQUELE DIA a sua rescisão de contrato com o clube.
Dessa forma, a ambiguidade poderia ter sido desfeita com a alteração da ordem em que as palavras figuram na frase:
Hoje, Roberto Carlos vai pedir para deixar o Corinthians.
Aguardamos suas sugestões.
Até a próxima.
Nosso blog trará comentários sobre formas de expressão, principalmente. Para isso, pedimos que enviem algumas sugestões de dúvidas quanto à correção de textos. Essa prática possibilitará comentários práticos, de grande valia para a produção de textos de cada um.
Começamos hoje com uma frase que apresenta ambiguidade.
Um jornal diário da cidade de São Paulo publicou, no dia 11 de fevereiro passado, a seguinte manchete:
Roberto Carlos vai pedir para deixar o Corinthians hoje
Observemos as duas possibilidades.
1- Roberto Carlos vai PEDIR HOJE para deixar o Corinthians, ou
2- Roberto Carlos vai pedir para DEIXAR O CORINTHIANS HOJE.
Lendo a matéria, e entendendo o contexto em que foi gerada a notícia, sabemos que o jogador pediria NAQUELE DIA a sua rescisão de contrato com o clube.
Dessa forma, a ambiguidade poderia ter sido desfeita com a alteração da ordem em que as palavras figuram na frase:
Hoje, Roberto Carlos vai pedir para deixar o Corinthians.
Aguardamos suas sugestões.
Até a próxima.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Doação de livros
O Banco Itaú tem um projeto chamado "Itaú Criança", que consiste em doar um kit com 4 livros infantis.
O interessado deve cadastrar-se no site www.lerfazcrescer.com.br , para receber gratuitamente o kit.
Vamos divulgar essas oportunidades de incentivar a leitura!
O interessado deve cadastrar-se no site www.lerfazcrescer.com.br , para receber gratuitamente o kit.
Vamos divulgar essas oportunidades de incentivar a leitura!
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Na medida em que
Um amigo envia um fragmento de notícia veiculada em um jornal de circulação no litoral paulista, para saber se o emprego de "na medida em que" está de acordo com a norma culta da língua. O fragmento é o seguinte:
"O avanço do álcool como opção energética pode trazer inúmeros benefícios ao Brasil, principalmente no mercado externo, na medida em que o combustível de cana-de-açúcar começar a ser adotado por outros países. O grande desafio, porém, é evitar que áreas utilizadas em outras culturas agrícolas virem um “mar” de canaviais."
A pergunta do amigo é muito interessante, pois esse elemento de ligação é muito frequentemente empregado com a intenção de indicar proporcionalidade, o que não é correto.
No trecho destacado, a ideia que há entre as orações ligadas por esse elemento é a ideia de proporcionalidade, isto é, à proporção que o combustível de cana-de-açúcar começar a ser adotado por outros países, o avanço do álcool como opção energética poderá trazer inúmeros benefícios ao Brasil. Assim, podemos entender que, quanto mais o combustível de cana-de-açúcar for adotado por outros países, tanto maiores serão os benefícios para o Brasil.
Vamos lembrar que “na medida em que” tem valor causal, equivalente a “porque”, que não é o adequado, conforme a norma culta da língua, para estabelecer relação de proporcionalidade. Nesse caso, deveria ser utilizado ali “à medida que”, que daria a ideia pretendida, ou seja, a ideia de proporcionalidade entre as orações.
O correto emprego dos elementos coesivos em uma redação é condição mínima para um texto que pretende uma boa nota em um vestibular.
"O avanço do álcool como opção energética pode trazer inúmeros benefícios ao Brasil, principalmente no mercado externo, na medida em que o combustível de cana-de-açúcar começar a ser adotado por outros países. O grande desafio, porém, é evitar que áreas utilizadas em outras culturas agrícolas virem um “mar” de canaviais."
A pergunta do amigo é muito interessante, pois esse elemento de ligação é muito frequentemente empregado com a intenção de indicar proporcionalidade, o que não é correto.
No trecho destacado, a ideia que há entre as orações ligadas por esse elemento é a ideia de proporcionalidade, isto é, à proporção que o combustível de cana-de-açúcar começar a ser adotado por outros países, o avanço do álcool como opção energética poderá trazer inúmeros benefícios ao Brasil. Assim, podemos entender que, quanto mais o combustível de cana-de-açúcar for adotado por outros países, tanto maiores serão os benefícios para o Brasil.
Vamos lembrar que “na medida em que” tem valor causal, equivalente a “porque”, que não é o adequado, conforme a norma culta da língua, para estabelecer relação de proporcionalidade. Nesse caso, deveria ser utilizado ali “à medida que”, que daria a ideia pretendida, ou seja, a ideia de proporcionalidade entre as orações.
O correto emprego dos elementos coesivos em uma redação é condição mínima para um texto que pretende uma boa nota em um vestibular.
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Vírgula antes da conjunção "e"
Um jornal diário da cidade de São Paulo veiculou a seguinte manchete sobre um dia tumultuado no Aeroporto Internacional de Guarulhos:
Gol cancela 300 voos e milhares lotam aeroportos
Esta manchete proporciona um interessante comentário sobre o uso da vírgula. De acordo com a norma culta da língua, se houver orações ligadas pela conjunção “e”, e os sujeitos dessas orações forem diferentes, é obrigatório utilizar a vírgula antes da conjunção “e”. Portanto, se o sujeito da primeira oração é “Gol”, pois ela “cancela 300 voos”, e o sujeito da segunda oração é “milhares”, pois eles “lotam aeroportos”, a manchete deveria ser, de acordo com a norma culta da língua:
Gol cancela 300 voos, e milhares lotam aeroportos
A atenção a essa regra pode valer um olhar muito simpático do examinador para uma redação em algum vestibular.
Gol cancela 300 voos e milhares lotam aeroportos
Esta manchete proporciona um interessante comentário sobre o uso da vírgula. De acordo com a norma culta da língua, se houver orações ligadas pela conjunção “e”, e os sujeitos dessas orações forem diferentes, é obrigatório utilizar a vírgula antes da conjunção “e”. Portanto, se o sujeito da primeira oração é “Gol”, pois ela “cancela 300 voos”, e o sujeito da segunda oração é “milhares”, pois eles “lotam aeroportos”, a manchete deveria ser, de acordo com a norma culta da língua:
Gol cancela 300 voos, e milhares lotam aeroportos
A atenção a essa regra pode valer um olhar muito simpático do examinador para uma redação em algum vestibular.
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