domingo, 13 de março de 2011

Uma correção

No comentário "Um perigo iminente", corrija-se "inda". O correto é "ainda".

Um perigo iminente

Um amigo acha estranho o emprego de uma palavra em um informe publicitário e pergunta se está correto o emprego da palavra "eminência" naquela passagem.
Vejamos o texto do informe.
"Diante da eminência de uma grave crise, ocasionada pela prevista alteração do clima e por suas consequências desastrosas – como as já vivenciadas enchentes e secas -, a comunidade internacional busca formas de amenizar os efeitos da degradação, acertar as contas com a natureza e garantir o bem-estar das próximas gerações."
Chamou a atenção do amigo a palavra “eminência”, que significa “importância”, "supremacia". Lembremos uma construção em que aparece o adjetivo “eminente”, referindo-se a alguém ilustre, respeitável, muito importante: “O eminente professor recebeu as justas homenagens por seu trabalho exemplar ao longo dos últimos trinta e cinco anos.”
No texto aqui reproduzido, no entanto, a ideia não é de importância, mas de “possibilidade de ocorrência”, o que indicaria o uso de “iminência”, ou seja, “qualidade do que está prestes a acontecer”.
Devemos entender que, nesse caso, “a comunidade internacional busca formas de amenizar os efeitos da degradação, acertar as contas com a natureza e garantir o bem-estar das próximas gerações”, diante da grande possibilidade de ocorrer uma grave crise, diante, portanto, da iminência de uma grave crise.
Vale lembrar inda que, embora a "grave crise" referida no informe seja muito importante, a intenção do autor do texto é chamar a atenção para a "possibilidade de ocorrência", daí a inadequação do emprego de "eminência".
Até a próxima. Aguardamos suas dúvidas.

quarta-feira, 2 de março de 2011

ONDE ou AONDE?

Muitas pessoas têm dúvida quanto ao emprego de "onde" e "aonde". É muito comum observarmos essa dúvida em várias situações.
E quando é que empregamos "onde" e "aonde"?
Vamos utilizar para exemplo o trecho a seguir, publicado em um jornal local de uma cidade do litoral paulista: "Espero que ele tenha sucesso no prosseguimento de sua carreira, aonde quer que jogue.”
A palavra destacada no trecho, "aonde", é formada pela junção de a + onde, isto é, trata-se da contração da preposição "a" com o advérbio "onde". O que devemos lembrar é que só é correto o emprego de “aonde” quando houver na frase uma palavra que exige o emprego da preposição “a”.
Por exemplo, sabemos que o verbo “ir” exige a preposição “a”: quem vai, vai a algum lugar. Assim, sempre que houver na frase o verbo “ir”, relacionado à palavra “onde”, deve-se empregar a preposição “a”, que formará a contração “aonde”, como no exemplo: “Não sabemos aonde irão os manifestantes.”
Caso não haja na frase uma palavra que exige a preposição “a”, não é correto o emprego de “aonde”. No trecho destacado, há o verbo “jogar”. Quem joga, joga em algum lugar, portanto não há motivo para que se empregue “aonde” nessa situação. Portanto, no exemplo escolhido, o correto seria: "Espero que ele tenha sucesso no prosseguimento de sua carreira, onde quer que jogue."
Vejamos os exemplos a seguir.
“Não sei aonde você quer chegar.” – quem chega, chega a algum lugar
“Os amigos estarão sempre onde estivermos.” – quem está, está em algum lugar
Aonde vão vocês? – perguntou o balconista.” – quem vai, vai a algum lugar
Até a próxima dúvida. Estamos aguardando suas sugestões para os nossos comentários.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Vamos trabalhar juntos

Retomamos hoje uma rotina que pretendemos tornar de utilidade para todos, principalmente para aqueles que começam a caminhada final para os vestibulares.
Nosso blog trará comentários sobre formas de expressão, principalmente. Para isso, pedimos que enviem algumas sugestões de dúvidas quanto à correção de textos. Essa prática possibilitará comentários práticos, de grande valia para a produção de textos de cada um.
Começamos hoje com uma frase que apresenta ambiguidade.
Um jornal diário da cidade de São Paulo publicou, no dia 11 de fevereiro passado, a seguinte manchete:
Roberto Carlos vai pedir para deixar o Corinthians hoje
Observemos as duas possibilidades.
1- Roberto Carlos vai PEDIR HOJE para deixar o Corinthians, ou
2- Roberto Carlos vai pedir para DEIXAR O CORINTHIANS HOJE.
Lendo a matéria, e entendendo o contexto em que foi gerada a notícia, sabemos que o jogador pediria NAQUELE DIA a sua rescisão de contrato com o clube.
Dessa forma, a ambiguidade poderia ter sido desfeita com a alteração da ordem em que as palavras figuram na frase:
Hoje, Roberto Carlos vai pedir para deixar o Corinthians.
Aguardamos suas sugestões.
Até a próxima.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Doação de livros

O Banco Itaú tem um projeto chamado "Itaú Criança", que consiste em doar um kit com 4 livros infantis.
O interessado deve cadastrar-se no site www.lerfazcrescer.com.br , para receber gratuitamente o kit.
Vamos divulgar essas oportunidades de incentivar a leitura!

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Na medida em que

Um amigo envia um fragmento de notícia veiculada em um jornal de circulação no litoral paulista, para saber se o emprego de "na medida em que" está de acordo com a norma culta da língua. O fragmento é o seguinte:

"O avanço do álcool como opção energética pode trazer inúmeros benefícios ao Brasil, principalmente no mercado externo, na medida em que o combustível de cana-de-açúcar começar a ser adotado por outros países. O grande desafio, porém, é evitar que áreas utilizadas em outras culturas agrícolas virem um “mar” de canaviais."

A pergunta do amigo é muito interessante, pois esse elemento de ligação é muito frequentemente empregado com a intenção de indicar proporcionalidade, o que não é correto.

No trecho destacado, a ideia que há entre as orações ligadas por esse elemento é a ideia de proporcionalidade, isto é, à proporção que o combustível de cana-de-açúcar começar a ser adotado por outros países, o avanço do álcool como opção energética poderá trazer inúmeros benefícios ao Brasil. Assim, podemos entender que, quanto mais o combustível de cana-de-açúcar for adotado por outros países, tanto maiores serão os benefícios para o Brasil.

Vamos lembrar que “na medida em que” tem valor causal, equivalente a “porque”, que não é o adequado, conforme a norma culta da língua, para estabelecer relação de proporcionalidade. Nesse caso, deveria ser utilizado ali “à medida que”, que daria a ideia pretendida, ou seja, a ideia de proporcionalidade entre as orações.

O correto emprego dos elementos coesivos em uma redação é condição mínima para um texto que pretende uma boa nota em um vestibular.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Vírgula antes da conjunção "e"

Um jornal diário da cidade de São Paulo veiculou a seguinte manchete sobre um dia tumultuado no Aeroporto Internacional de Guarulhos:
Gol cancela 300 voos e milhares lotam aeroportos
Esta manchete proporciona um interessante comentário sobre o uso da vírgula. De acordo com a norma culta da língua, se houver orações ligadas pela conjunção “e”, e os sujeitos dessas orações forem diferentes, é obrigatório utilizar a vírgula antes da conjunção “e”. Portanto, se o sujeito da primeira oração é “Gol”, pois ela “cancela 300 voos”, e o sujeito da segunda oração é “milhares”, pois eles “lotam aeroportos”, a manchete deveria ser, de acordo com a norma culta da língua:
Gol cancela 300 voos, e milhares lotam aeroportos
A atenção a essa regra pode valer um olhar muito simpático do examinador para uma redação em algum vestibular.